Por Que Contar Lendas nas Escolas II

Por Paulo Santos da Silva¹

O Reencontro com as Lendas

Algumas das lendas que ouvi na infância incrustaram-se em mim e adormeceram. Por um longo tempo, eu as deixei em hibernação. Hoje, morando em Guaratuba, elas e outras mais recentes reapareceram.

Pouco a pouco, alguns alunos, alunas, pescadores, passantes pelas praias e baía de Guaratuba, historiavam lendariamente a própria história de Guaratuba. Por exemplo, o navio que naufragou na praia da Caieiras, bairro guaratubano de muitos pescadores, de cujo naufrágio, segundo “os mais antigos”, haviam ficado por ali alguns tesouros, “mas bem enterrados no morro”. Como acontece ainda lá no interior, em que uma história puxa outra, por aqui também o navio acabava transportando a outras lendas e casos: noivas esquecidas na igreja, botijas de ouro, lembranças dos indígenas, retratos de um baile que deixou a marca do capeta... Tudo isso me provocando ora espanto, ora perplexidade, ora apenas curiosidade e que aos poucos foram copiladas no blog http://guaratubaemhistorias.zip.net. Essas lendas não estão aí por acaso, são e formam uma parte da memória cultural de Guaratuba. Algumas permanecem mais fortemente que outras. Por exemplo, lembro-me das lendas sobre lobisomens, fomentadas por meu pai e outros senhores que moravam no bairro rural de Assis Chateaubriand e que diziam que durante a quaresma alguns homens se transformavam em lobisomens e ficavam por lá penando nas noites de lua cheia. Lendas que também circulam em Guaratuba, mas adaptando-se e se apimentado conforme o espaço social daqui. Histórias como essas me surpreendem, uma vez que essas histórias ainda são contadas e também por serem fios de ligação com o reino perdido de infância. Elas estão presentes no imaginário popular, daqui e de outros lugares. Em Guaratuba, tal como em Assis Chateaubriand da minha infância com lendas dos anos setenta, ainda se fala dos mortos que voltam, da noiva que pede carona na estrada do Cabaraquara, de corpos secos que atazanam o quotidiano e o repouso dos vivos, e até de lobisomens que atacam no correr da noite de lua cheia.

¹ Paulo Santos da Silva é Mestre em Patrimônio Cultural e Sociedade, professor do Curso de Pedagogia, disciplina de Oficina de Literatura Infanto Juvenil.

 

Prof. Jonas Maciel
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