Por Que Contar Lendas nas Escolas III

Por Paulo Santos da Silva¹

O Reencontro com as Lendas

As lendas “raramente estão confinadas a limites geográficos, históricos e culturais tão claramente definidos” (DUNDES, 1996, p. 20). Porque as lendas são compreendidas como universos de memória cujo imaginário dos contadores e dos interlocutores, ainda que de formas distintas, são recriadas e enriquecidas a cada (re)conto.

Nelas, o fato real mescla-se com o imaginário, adentrando no reino do fantástico, do maravilhoso, almejando “o lado épico da verdade” imaginária, conforme propõe o filósofo Walter Benjamin (1994, p. 200), para o qual a arte de narrar estaria definhando “porque a sabedoria – o lado épico da verdade – estaria em extinção”. O que não é verdade, já que as lendas estão vivas. Quando se adentra pelas ruas estreitas e pelos bosques densos das lendas guaratubanas, bem como de outras cidades, percebe-se que temos aí narrativas lendárias recuperadas em novas formas de narrativas. Narrativas essas que podem despertar o imaginário das crianças, como também oferecer a elas indícios de identidade local, de pertencimento e memória; além disso, tem-se outra questão, até mesmo social e histórica: a de elas também narrar a própria história da cidade. Paul Ricoeur, filósofo francês, (1995, p. 46) ressalta que “não temos qualquer ideia do que seria uma cultura em que não se soubesse mais o que significa narrar”.  Ricoeur (2007) ainda aponta para a memória como um conjunto de rastros que afetam os grupos envolvidos que, unido à história, podem nos conduzir para a compreensão de como viviam os nossos antepassados, de como eles habitaram um mesmo espaço, embora em tempos diferentes, em que se vive o hoje. Logo, torna-se fundamental a contação das lendas em salas de aula. Nelas estão um pouco dos que vieram antes de nós e que ensina as nossas crianças de que há outras e novas narrativas para se contar que pertencemos a uma comunidade, que se estamos vivos é porque antes de nós outros imaginaram a continuação da vida através das lendas, inclusive, a continuação deste mundo em que nós habitamos.

 

¹ Paulo Santos da Silva é Mestre em Patrimônio Cultural e Sociedade, professor do Curso de Pedagogia, disciplina de Oficina de Literatura Infanto Juvenil.

 

Prof. Jonas Maciel
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